Propriocepção – cientistas provam a existência do sexto sentido

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Foto: Revista Science

Através de estudos de pacientes com dificuldades em perceber a posição do seu corpo e a identificação seletiva de objetos sobre a sua pele, foi verificado que um gene chamado PIEZO2 tinha sofrido uma mutação (Revista Science-PIEZO2). A ciência especula se este marcador genético não estaria vinculado a um problema de controle dos movimentos e percepção corporal que poderia favorecer o desenvolvimento de doenças osteoarticulares.

A propriocepção já é um sentido há muito conhecido pelos profissionais que trabalham com medicina física, ortopedia e reabilitação.  Já é de conhecimento geral que os ligamentos articulares são na verdade mais que estabilizadores físicos, sendo órgãos sensoriais extremamente sensíveis. Parte daí a informação captada pelo cérebro que é capaz de dizer a exata posição em que a sua mão ou o seu pé se encontram no espaço em relação ao seu corpo. A perda da propriocepção quando, por exemplo, ligamentos articulares são comprometidos, evoluem invariavelmente para processos articulares degenerativos e artrose. Também esse gene poderia estar relacionado com o desenvolvimento de deformidades da coluna vertebral como, por exemplo, a escoliose.

Essa descoberta poderá revolucionar as estratégias preventivas das doenças musculoesqueléticas. Outra possibilidade é que indivíduos com variações do PIEZO2 poderiam contribuir com um maior desempenho atlético/desportivo, ou ser alguém totalmente descoordenado e inapto para tocar instrumentos e até mesmo escrever. Seriam as dificuldades motoras tão relacionadas apenas com o déficit de atenção responsáveis pela dificuldade de aprendizado da escrita?

Sabemos também que o envelhecimento acarreta perda progressiva da propriocepção e com isso uma maior susceptibilidade para o desgaste articular e músculo/esquelético geral.

Observou-se ainda que testando indivíduos com os olhos vendados, ou seja, sem o sentido da visão, interferindo com a localização do corpo, eles perdiam totalmente o equilíbrio e a coordenação motora. Através dessa tipagem genética poderia se detectar precocemente aqueles indivíduos que necessitariam de intensa atividade física e de treino de equilíbrio contínuo, bem como uma vigilância maior da sua saúde visual.

Independente de problema no gene ou não, todos devem ter uma prática contínua de atividade física, visto que ter ou não essa mutação genética não impede que o indivíduo seja capaz de treinar as habilidades e superar qualquer que seja as limitações existentes.

 

Eduardo 3l 4 com jaleco

Eduardo Souza Teixeira da Rocha
Ortopedia / Traumatologia / Psicosintomatologia da dor

Doutor em Medicina e formado pela Universidade Federal da Bahia – UFBA (CRM/BA 12232), Especializado em Ortopedia pela Universidade Federal de São Paulo (TEOT – SBOT 5477). Trabalhou na Rede Sarah de Hospitais do Aparelho Locomotor e no Hospital Aliança. Atualmente é diretor médico da Bios Saúde.

 

Propriocepção – cientistas provam a existência do sexto sentido

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